04 agosto 2019
03 agosto 2019
02 agosto 2019
Manuel António Pina: Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, 1991
Junto à água
Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.
Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas, à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.
Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz de infância, que o teu silêncio me chamasse!
E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.
Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas, à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.
Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz de infância, que o teu silêncio me chamasse!
E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos
e sem escuridão, sob um telhado por fim.
À minha volta estilhaça-se
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos nas molduras.
Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia.
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos nas molduras.
Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia.
01 agosto 2019
El espejo (poema de Luis Escavy; foto de Michael Bidner)
CUANDO entro en la ducha, cuando salgo,
me interrogo a menudo, me evalúo
los antiguos errores, las heridas,
y me abrazo y contemplo un cuerpo frágil
desnudándose frente a la verdad.
La verdad es que no somos casi nada.
Solo algo de piel y pensamiento.
Cuando dejo de verme, duele menos
este hombre que soy y el que me mira
a través de los años.
31 xullo 2019
29 xullo 2019
28 xullo 2019
27 xullo 2019
26 xullo 2019
Pedro Salinas: "Este hijo mío..."
![]() |
Duane Michals: O pai prepara o corpo do fillo morto para o funeral (1968) |
Se fue a América en un barco de vela,
no creía en Dios, anduvo
con mujeres malas y con anarquistas,
recorrió todo el mundo sin sentar la cabeza...
Y ahora que ha vuelto a mí, Señor,
ahora que parecía..."
Por la puerta entreabierta
entra un olor a flores y a cera.
Sobre el humilde pino del ataúd el hijo
ya tiene bien sentada la cabeza.
25 xullo 2019
24 xullo 2019
23 xullo 2019
Poema de Vicente Aleixandre
con mi mano repaso las lindes delicadas de tu vivir retraído. Y siento la musical, callada verdad de tu cuerpo, que hace un instante, en desorden, como lumbre cantaba.
22 xullo 2019
21 xullo 2019
Stonehenge
A máis antiga representación coñecida de Stonehenge, mostrando como uns xigantes axudan a Merlín a construílo, é esta do Roman de Brut, obra de Wace, hoxe na British Library (inicios do s. XII)
20 xullo 2019
Adão, o agiota
Aquele rapazola de feições um tanto rapaces, imbuído nuna espécie de misticismo pelas coisas de dinheiro, o misteiro apaixonante da compra e venda, era-lhe bastante grato. Porque acontecera ser o sétimo rapaz duma família, fora baptizado como o nome de Adão, para evitar assim correr o fado, ou seja ficar condenado a vaguear de note, transmformado em bácoro, ou cavalo, ou bode, ou toiro, em cujo rasto espolinhado se espojasse. Ah, e então apenas uma labareda, à meia-noite, consumindo-lhe as roupas que abandonou, um espinho ou um chuço ferindo que o bicho que corre desabaladamente pelos atalhos, podem quebrar o encanto! Melhor é chamar, pois, Eva às quintas ou sétimas filhas, e que Adão sejam os infantes todos que venham perfazer esses fatídicos números. Este Adão, apesar do esconjuro do baptismo, nunca ressecara de todo a sua natureza infernal, a recordação do barro, do limo, do caos feito idade do ouro; era abominavelmente, clamorosamente agiota. Contava-se que seu avó, um desses usurários tenebrosos que trescalam à miséria de quantos lhes deixaram nas unhas uma onça de ouuro ou de pele, possuía uma rasa de libras que costumava expor ao sol, gozando-lhe os fulgores em dias soalheiros.
Agustina Bessa Luís: A sibila (p. 40)
19 xullo 2019
18 xullo 2019
17 xullo 2019
16 xullo 2019
15 xullo 2019
14 xullo 2019
No pasarán!
A música punk e activista rusa Nadezhda Tolokonnikova na súa detención en Moscova en 2012. Leva unha camiseta co No Pasarán, dúas palabras inmortalizadas pola defensa de Madrid contra o fascismo en 1936.
13 xullo 2019
Prece
Abençoai os nossos campos, para que eles tenham água e nos deem pão. Abençoai a nossa casa, o nosso gado, os nossos criados. Abençoai os nossos frutos, que tudo aconteça para bem. Levai para longe a fome, a peste, a guerra e os amigos que mentem. Fazei-nos humildes na riqueza, orgulhosos na desgraça, sábios em desejar, corajosos em receber a ofensa, valentes em cumprir a vida e a morte.
Abençoai também os nossos moinhos e os caseiros deles, que não pagam a renda há tanto tempo...
Abençoai os nossos gostos, para que sejam nossos brinquedos e não cadeia. Abençoai as nossas dores, para que elas sejam experiência e não castigo.
Agustina Bessa Luís: A sibila (p.43)
11 xullo 2019
10 xullo 2019
09 xullo 2019
08 xullo 2019
Juana De Ibarbourou: Silencio
Mi casa tan lejos del mar
Mi vida tan lenta y cansada.
¡Quién me diera tenderme a soñar
una noche de luna en la playa!
y tener por fresquísima almohada
un montón de esos curvos guijarros
que ha pulido la sal de las aguas.
Dar el cuerpo a los vientos sin nombre
bajo el arco del cielo profundo
y ser toda una noche, silencio,
en el hueco ruidoso del mundo.
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